ISABELLA - Dom Benedicto de Ulhoa Vieira

                                                 Dom Benedicto de Ulhoa Vieira
                            Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Uberaba/MG.
                          Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro

Todos a vimos nos jornais televisivos na noite do dia dois p.p., vestida à portuguesa, dançando com suas pequenas companheiras do jardim da infância.  Era um botão de rosa, soprado pela brisa. O sorriso gracioso deixou ver a alvura dos seus dentes de leite: era uma menina de apenas cinco anos.

Depois, a vimos estirada na dureza da calçada, ainda com o coração pulsando, quando chegaram para salvá-la. Mas era tarde... Isabella voou para Deus. De quem teria partido o gesto brutal de atirá-la pela tela rasgada, da altura do sexto andar?
Algum Herodes sem alma teria tido a coragem de repetir a matança de inocentes?


Neste cenário de crueldade transparece com nitidez a grave situação da dissolução da família. O que Deus criou para durar – o amor de um homem por uma mulher na constituição de um lar ou de uma família – vem sendo espatifado pelo terremoto dos divórcios. Os filhos, mesmo menores, ficam sem a presença do pai ou da mãe, a que visitam nos fins de semana num outro lar, que não é onde vivem.

No caso em tela, a tragédia da criança inocente nunca teria acontecido, se o pai e a mãe – ambos! – vivessem sob o mesmo teto, agasalhando na cálida atmosfera do amor a vida da filha a quem deram a vida.

Na escola – deve ser um “jardim da infância” – a diretora explicou para o repórter o que ela e as responsáveis da casa tinham de dizer às companheiras de Isabella, que queriam saber porque já não estava ela ali. E a entrevistada, não podendo assustar as crianças com a revelação do drama, contou a elas que “o Papai do céu tinha levado a Isabella para ficar com Ele e ela se tornara uma pequenina estrela”. Foi assim que o noticiário transmitiu.

De fato, Isabella, na inocência dos seus cinco anos, segundo nossa fé, está feliz com Deus na visão beatificante do céu. É mais um dos inocentes como no tempo de Herodes, na encantadora convivência com o Eterno. Agora podemos pedir a Isabella que interceda pelas crianças a fim de que nunca mais nenhuma delas seja martirizada pela crueldade dos mais velhos.

Não nos compete julgar antecipadamente a ninguém. As autoridades deverão descobrir quem teve a coragem de praticar tamanha crueldade. Tenho pedido a Deus que nessa pesquisa necessária não seja culpado quem é inocente, nem absolvido quem tenha cometido tal crime. E que nunca mais tenhamos de chorar por tanta maldade que transparece neste trágico acontecimento.

Publicação autorizada para o site - www.mosteiroimaculadaconceicao.org.br
Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa - Uberaba/MG.