Mês de Maria - Dom Benedicto de Ulhoa Vieira

                                                 Dom Benedicto de Ulhoa Vieira
                            Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Uberaba/MG.
                          Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro

Na piedade popular, dedica-se o mês, em que estamos, à Virgem Maria, Mãe de Deus. Com os Evangelhos nas mãos e mesmo em outras partes do Novo Testamento, fica difícil – para não dizer impossível – negar a Maria o papel preponderante que Ela teve na história da nossa salvação.

Já no Concílio de Éfeso em 431, após a negação de Nestório, a Igreja proclamou a Virgem “theotokos”, isto é, “genitora de Deus”, não no sentido de ter Ela dado a divindade ao Verbo de Deus, mas no sentido de ter Ela dado a natureza humana ao Verbo, segunda pessoa da Trindade. Santo Tomás, como sempre lúcido e preciso, explica: “da Pessoa que possui a humanidade e a divindade, Maria é mãe segundo a humanidade”.

O Evangelho de Lucas (1, 43), narra a saudação de Isabel, ao receber a visita de Maria: “Mãe do meu Senhor”. A figura de Maria como Mãe de Jesus, é repetidamente mencionada no Evangelho. Os misteriosos magos, recém-chegados do Oriente, entraram na casa e “viram o Menino com Maria, sua Mãe” (Mt 2, 11). E quando José foi avisado pelo anjo que Herodes queria matar a criança, Mateus relata a ordem do anjo: “toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egito” (Mt 2, 13).

São muitos os textos evangélicos que afirmam que Maria é a Mãe deste Jesus, que o Evangelho de João registra ser o Verbo de Deus, isto é, a Pessoa divina que criou tudo que foi feito.

Fica pois difícil ao cristão que conhece os Evangelhos não ter por Maria o respeito, a admiração, o carinho que Ela merece por nos ter dado Jesus, o Salvador, a quem revestiu virginalmente da natureza humana, sem a qual era impossível a Deus sofrer e morrer para a nossa salvação.

Isto tudo, que a Teologia bíblica nos ensina e nos parece meridiano como o sol, é ponto nevrálgico para o dialogo ecumênico, como reconhece o teólogo evangélico Moltmann.

Os cristãos evangélicos, que têm pela Bíblia invejável amor e respeito, quando se trata de Maria, Mãe de Deus, fecham-se e retraem-se. Não reconhecem a valorosa presença dEla na Igreja de Jesus, como o livro dos Atos dos Apóstolos nos atesta (Atos 1, 14).

Há uma indiscutível riqueza do patrimônio bíblico, que deveria ser, sem dúvida, um elemento fundamental da unidade entre nós, cristãos, e infelizmente não tem sido.

Maio, mês de Maria, Mãe de Deus. Que ela nos abençoe e nos ajude a viver integralmente o Evangelho de seu Filho Jesus Cristo.

Publicação autorizada para o site - www.mosteiroimaculadaconceicao.org.br
Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa - Uberaba/MG.